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CBF se inspira em exemplo de trabalho social de sucesso para formação de árbitros

Chefe da arbitragem diz se espelhar no trabalho de Rildo Góis

A idéia começou a ganhar forma. Na cabeça do presidente da Comissão de Arbitragem da CBF está na hora de a entidade investir na revelação de novos árbitros de futebol. Para isso, o parâmetro imaginado pelo Coronel Marcos Marinho já existe: é o trabalho desenvolvido pela DBAF, em Salvador.

A Divisão de Base de Árbitros de Futebol foi criada há sete anos por Rildo Góis, árbitro e ex-integrante do quadro da Federação Baiana. É um trabalho voluntário e que, basicamente, funciona como uma escolinha de arbitragem de futebol para jovens carentes. No início, funcionou com apenas uma criança, mas que já atendeu cerca de 150 entre meninos e meninas. 

“A gente pensa em uma parceria com a DBAF, um trabalho interessante, de inclusão social. Essa experiência não pode ser desprezada”, revelou o Coronel Marinho.

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Ele se referiu aos encontros que acontecem todo sábado de manhã, numa sala do Colégio Parque, no bairro do Cabula, periferia de Salvador. Cerca de 25 pessoas, entre 10 a 17 anos, recebem aulas teóricas e práticas das 17 regras do futebol, como aplicá-las e sinalizá-las, lições de disciplina e cidadania, atividades lúdicas e alimentação. Tudo gratuito e mantido por colaboradores como a instituição escolar, que além do espaço para as aulas, doou bolsas de ensino, e estimulando que outras escolas da região fizessem o mesmo. Também o sindicato de árbitros de São Paulo, a Federação Baiana e a CBF ajudam a manter a iniciativa funcionando.

FRUTOS DA DBAF

O trabalho voluntário de Rildo já chamou a atenção da Confederação Brasileira. Luanderson Lima, hoje com 22 anos, foi o aluno número um da DBAF. Hoje, é um dos mais novos integrantes do quadro nacional e tem sido escalado para jogos do Campeonato Brasileiro da série D, depois de ser apontado como árbitro assistente revelação do Baianão de 2018.

O próprio Coronel Marinho, quando estava à frente do quadro de árbitros da Federação Paulista, tinha se interessado pelo modelo da DBAF. Agora, na CBF, viu com bons olhos o surgimento de novos valores na Bahia. “Se a pessoa mostra qualidades, não há razão para não escalá-la. É muito bom saber que a própria federação está atenta à base”, disse Marinho.

Mais de 40 alunos da DBAF estão envolvidos com o esporte, principalmente o futebol e a arbitragem, apitando no futebol amador. Alguns já ajudando na renda familiar. “Eles atuam em partidas das comunidades ou nas categorias de base, e quem organiza esses jogos sempre acaba nos dando uma colaboração que é repassada para o trio de arbitragem. Ajuda a comprar um gás, pagar uma conta de luz“, afirmou Rildo Góis, que atuou no quadro baiano de 1999 à 2013 e é o único do Norte-Nordeste a se formar instrutor de Árbitro pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF).

“Nosso objetivo é a inclusão social dessa meninada carente. Eu acredito que quando você tem uma base familiar, uma base de escola, você tem a tendência de ter uma vida mais organizada. Por que não ter uma base de arbitragem que possa te dar um caminho na vida?”


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