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Voltou aquele troco, como se fosse o último…

Em clima de melancolia e incerteza, Camelódromo por fim foi desocupado com forte presença policial e muitos pedestres curiosos; Vendedores aguardam a conclusão das obras do segundo espaço para o comércio popular, na Avenida Getúlio Vargas, que segundo a Prefeitura, atrasou devido ao período chuvoso; Outro local, logo ao lado, foi inaugurado ainda no fim do ano passado

05h30 da manhã. Acorda Jacqueline no remoto e longínquo Grajaú. Era mais uma jornada que começava pra ela. Levantar, fazer o café, acordar as três filhas, Mariele, Antônia e Maria Luíza pegar o ônibus e deixar as crianças na CMEI, depois pegar outro, até chegar na região central às 07h, pra abrir sua lojinha, no quarteirão fechado, mas, não seria igual…nem será. Na verdade, a realidade de Jacqueline é tão certa quanto a negligência das últimas gestões, para com residentes de bairros afastados, assim como ela.

A manhã de hoje foi um pouco atordoada para uns e saudosista para outros, no centro da cidade. Um mix de som de hélice rasgando o céu da cidade, com prosas na boca do povo, logo cedo, pelas ruas mais movimentadas do município, em Divinópolis.

Por fim, depois de muitos impasses – vários ainda pendentes, houve a desocupação do Camelódromo, na quadra fechada da Rua São Paulo, nesta segunda, (13). Cerca de 200 pessoas trabalharam em conjunto para realizar as atividades, dentre servidores municipais, autoridades, comerciantes, entre outras categorias.

Muitos moradores locais e pedestres que passaram pela região ficaram a olhar a execução do cumprimento da ordem, sem falar nos vendedores que lá eestiveram instalados por quase 10 anos, com semblantes de dúvida e pouco otimistas, enquanto outros mais positivos. Era o caso do seu José, de 73 anos, comerciante de rua há quase meio século.

“Tem umas coisas que a Prefeitura e ‘esse povo’ faz, que realmente, a gente fica sem entender. Isso aqui é o ganha pão de muitos. Foi uma luta pra conseguir nosso espaço e sairmos da incerteza, quando éramos ambulantes nas ruas do Centro. Ai colocaram a gente aqui e agora vão tirar. Com a minha idade, eu só queria um pouco de sossego. Tô na labuta desde novo, se não me engano desde os 25 anos como comerciante. Vai indo a gente não tem o mesmo pique e nem o mesmo otimismo.” lamentou José.

Vendedores deixam o recado, para atuais e futuras figuras públicas, na Casa Legislativa, em ano de eleição municipal.

 

Já para a esteticista, Bianca Camargos, a desocupação tem pontos positivos e negativos. “Não tinha nada demais em deixar as pessoas aqui, né? São bons e só querem trabalhar. Ganhar o deles. Por um lado é bacana, que a gente para de ser abordada toda vez que passa aqui na esquina. Mas não incomodaca tanto assim. Até que era conveniente, porque muitas vezes o pessoal lembrava de coisas que nós estávamos precisando em casa e não precisávamos entrar em lojas, nem pegar filas, além de pagar mais barato. Vamos ver como vai ficar agora.” pontuou Bianca.

Parte da Avenida Primeiro de Junho e o espaço onde funciona o comércio popular foram bloqueados para a operação, que contou com a forte presença de agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans), servidores do setor de fiscalização, além da presença de policiais militares e civis, tanto em viaturas, quanto num helicóptero da unidade, que sobrevoou o perímetro durante a ação.

Conforme a justiça comum, Ministério Público, representantes locais e a Prefeitura, os vendedores tinham até o dia 01/12 do ano passado, para saírem do local, entretanto, num acordo judicial entre as partes, a nova data tinha sido estipulada para o dia 12 deste mês.

De acordo com a Settrans, os motoristas foram aconselhados a fazer desvios pelas ruas Espirito Santo e Getúlio Vargas. A ação contou ainda com o apoio do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar (PM), com a aeronave Pegasus 09, da corporação.

Agentes da Tropa de Choque da Polícia Militar ficaram de prontidão no perímetro.

 

A Polícia Militar empenhou 75 homens, 17 viaturas e um helicóptero. De acordo com a corporação, o reforço foi para evitar resistência dos populares ou dos comerciantes, que impedissem o trabalho dos fiscais.

“Se viessem manifestantes estaremos aqui garantindo a ordem, mas não teve dificuldade nenhuma. Fizemos o estabelecimento de alguns perímetros imediatos, fizemos cercamento de vias de acesso, acima de tudo para não permitir que as pessoas circulem, mas claro que quem estava trabalhando e os moradores tiveram a entrada liberada”, explicou o Coronel Webster.

No prosseguimento da ação, enquanto o espaço não é desobstruído, a fiscalização será intensificada pelas ruas, para evitar que os vendedores se desloquem para outro local, sem a autorização da Prefeitura. Dois espaços estão sendo construídos para a realocação dos ambulantes, um foi concluído no fim do ano passado, mas o outro atrasou, devido o período chuvoso.

“Esta semana terá de forma incisiva e continua inibindo a ação dos ambulantes nas ruas da cidade”, destacou.

A Polícia Civil agiu com a atuação de 13 agentes de apoio. O delegado Marco Antônio Noronha ressaltou que ação foi tranquila.

“A Polícia Civil sempre tem preocupação em relação a fraudes, falsificações, alguma possibilidade de produto pirada. Sempre que ocorre alguma denúncia, seja camelódromo ou de qualquer outro estabelecimento comercial, sempre acompanhamos a investigação, mas hoje é apenas um trabalho de presença para ver a movimentação desta operação”, ressaltou.

 

Vendedores esvaziam os boxes, para que o espaço comercial popular do Camelódromo fosse desocupado pelas autoridades.

 

No último sábado, (11), logo após o encerramento das atividades do comércio, vários vendedores aproveitaram para retirar os produtos das barracas. Além da retirada dos comerciantes, a Prefeitura está fazendo a remoção da estrutura metálica  do camelódromo, cuja obra na época, concluída  em 2012 serviu de homenagem para Geraldo Correia, um dos ex parlamentares e figuras públicas mais populares da cidade, além também de ser uma construção simbólica, entregue no ano do centenário de Divinópolis.

A ação de remoção, será dividida em partes. Nesta segunda foram retiradas as divisórias. Amanhã, (14), a equipe irá retirar as vigas e o teto metálico.

Desobstrução do espaço 

Segundo informações, a previsão é que toda a estrutura tenha sido retirada desobstruindo a via. Para o poder público, autoridades e outros populares, a principal alegação para justificar a desocupação para ampla circulação de pedestres e veículos no local, porém, ainda não há definido qual será o futuro do lugar.

 

 

“A prefeitura trabalha com várias possibilidades. Fala-se na abertura da via, mas temos o pórtico aqui que impede a abertura total. Não tem ângulo para os veículos virarem. Uma série de critérios está sendo analisada”, enfatizou o assessor de comunicação e imprensa, Evandro Araújo.

Os ambulantes deverão ir para um galpão que abrigará o Centro de Comércio Popular na Avenida Getúlio Vargas. Ainda em fase de construção, as obras devem ser concluídas dentro de um mês. As barracas começaram a ser instaladas.

Conforme Evandro, a mudança assim como todo o processo é de responsabilidade dos profissionais, já que a estrutura é privada. Eles terão carência de dois anos no pagamento do aluguel.


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