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Dono do ABC e ambientalistas travam conflito

A Câmara Municipal aprovou a doação de um terreno de 42,7mil m², no Bairro Icaraí; Ambientalistas dda cidade acionaram o Ministério Público; Empresa alega que irá preservar 11mil m² e gerar 400 empregos

Foi aprovada a doação de um terreno de 42,7 mil m², no bairro Icaraí, para a rede de supermercados ABC, na Câmara de Divinópolis. O grupo deverá gerar estimadamente 400 empregos. No local será abrigado o Centro de Distribuição e Logística. O investimento está previsto em cerca de R$10 milhões, conforme antecipado pelo próprio proprietário do ABC, Waldemar Amaral.

 

 

Amaral fez críticas as dificuldades de investir na cidade. O projeto prevê uma área construída de aproximadamente, 15mil m². O local foi avaliado pela Comissão Municipal de Avaliação Imobiliária em R$ 6,4 milhões, ainda em abril.

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O grupo ABC irá arcar com os encargos perante ao município. Entre eles, elaborará projetos de terraplenagem, geométrico e perfis longitudinais e transversais, com detalhamento de corte e aterro, drenagem pluvial completo, esgoto sanitário, abastecimento de água, iluminação pública e de rede de transmissão elétrica, com vistas ao novo Centro Industrial de Divinópolis.

Também estão previstos os projetos e execução dos estudos de impacto no trânsito local, para a elaboração do Relatório de Impacto de Circulação, este em função da implantação do empreendimento de que trata esta lei, tudo sem qualquer custo para a Fazenda Municipal. Os projetos precisam se mostrarem aptos, segundo as técnicas respectivas, à aprovação perante os setores administrativos competentes.

“Temos que comemorar e muito. Trata de uma parceria importantíssima para a cidade, que vai gerar centenas de novos empregos”, comemorou o prefeito, Galileu Machado.

Investigação

O Ministério Público (MP) está investigando a doação do terreno.

O promotor Gilberto Osório confirmou o recebimento de uma denúncia e afirmou que pediu informações ao município.

Os ambientalistas José Nilton Teodoro e Jairo Gomes Viana alegam na denúncia que a área é um Horto Florestal, “de importante área verde e com vegetação significativa”. No local, segundo os denunciantes a prefeitura mantinha a produção de mudas de árvores e recebia animais apreendidos nas ruas.

Lida com o investimento

O prefeito lamentou o que para ele é uma tentativa de travar a iniciativa.

“Entraram com uma ação sob alegação de que lá era um local de cultivo de mudas. Realmente, era, mas essa função já foi transferida para o Parque da Ilha, lá sim é um espaço de preservação, destinada a essa atividade””, declarou.

Segundo o prefeito, a busca de novos investimentos é árdua, “principalmente quando se trata de algo assim, que não é poluente e vai gerar tantos empregos. Se o Prefeito não faz, é criticado e tem que ser mesmo porque não fez. Mas se faz, também aparece gente para criticar”.

Política de preservação ambiental

Os 11 mil m² de área ambiental que integram os 43 mil m² do terreno doado pela prefeitura de Divinópolis, no bairro Icaraí, serão de responsabilidade do Grupo ABC. No local, será construído o Centro de Produção, Distribuição e Logística. O dono da empresa, Waldemar Amaral confirmou, nesta segunda (04), que assumirá o trabalho de preservação.

O empresário participou de reunião com vereadores para elucidar a doação. Apesar do grupo receber 43 mil m² a área construída terá 15 mil m². A Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio Pará será preservada. Além, disso os projetos ainda irão tramitar nos órgãos competentes, incluindo os ambientais para aprovação.

O caso ganhou repercussão após dois ambientalistas denunciarem o projeto aprovado pelos vereadores ao Ministério Público (MP). O órgão tomou as providências e pediu informações à prefeitura para verificar se está dentro da legalidade. Na mesma semana, o Grupo ABC se manifestou dizendo que não dará sequência ao empreendimento se houver impedimento legais.

“Queremos, se for de agrado e se for correto, se tiver alguma coisa de incorreto nós nem queremos fazer isso”, afirmou Amaral sobre a construção.

Serão investidos cerca de R$16,7 milhões pela empresa. Estão previstos 300 empregos diretos com o funcionamento e 200 na construção. O Centro de Distribuição irá atender todas as lojas do estado. No local, irá funcionar padaria, açougue, hortifruti, para citar alguns. A previsão é de ser concluído em dois ano a partir do início das obras.

Falácias

A doação somada à denúncia serviram de munição para alimentar fake news. Ao longo da semana o assunto esquentou as redes sociais que deram viés diferentes ao caso. O empresário tratou as notícias falsas como “coisas naturais de gente que está desocupada”.

“E não tem muito o que fazer e inventa para criar polêmica por algum interesse particular”, completou.

Os detalhes sobre a área ambiental foram listados no projeto a pedido do relator, o vereador Eduardo Print Jr. (SD). Inicialmente, elas não constavam na matéria assim como as contrapartidas. Print contestou as denúncias feitas e rebateu a informação de funcionava o horto no local.

“Se levantar na história de Divinópolis, lá era uma área que cultivava algumas árvores, mas o horto funcionava no Gafanhoto”, afirmou.

Print ressaltou que o recolhimento de animais funcionou por um tempo no local, mas foi transferido este ano para uma região mais central para facilitar a retirada. Já o papel do horto ficou com a Sala Verde, hoje ativa no Parque da Ilha.

O vereador aproveitou e questionou a idoneidade de um dos denunciantes. José Nilton Teodoro ocupou gerência na Secretaria de Meio Ambiente por dois anos.

“O que me chama atenção é que um dos denunciantes participou do governo e agora volta com o canhão. Será que ele está preocupado mesmo com o Meio Ambiente? Porque ele não preocupou com o horto enquanto ele esteve lá?”, indagou.

Análise da situação

Hoje, o ABC emprega 5,7 mil trabalhadores em todo o grupo, incluindo postos de combustíveis, farmácias. Só em Divinópolis são 1,6 mil, sendo 400 no setor administrativo. Do pessoal empregado, 17% nunca havia trabalhado – o número não inclui o jovem aprendiz que corresponde a 5%; 10% são trabalhadores acima de 40 anos; 14,7% estavam há dois anos desempregado; 5% para pessoas com deficiência.

O presidente da câmara, Rodrigo Kaboja (PSL) destacou a dificuldade de se investir em Divinópolis e o empenho do ABC em manter o empreendimento na cidade.

“Quem quer investir em Divinópolis? Aqui não tem incentivo. Outras cidades, como Carmo do Cajuru, Uberaba, Uberlândia dão. O ABC começou sua história em Divinópolis”, comentou.


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