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Vira a casaca

Em entrevista, presidente do Galo diz que nova geração de apoiadores do Cruzeiro podem migrar e passar a torcer pra outros times (até mesmo pro Galo)

Vinícius Xavier

“Tira o casaco. Bota o casaco. Tira o casaco. Bota o casaco. (…)” Esse diálogo é de um filme bastante conhecido (Karatê Kid), o qual ganhou uma nova adaptação há 10 anos, estrelado por Jackie Chan e Jaden Smith. No longa, em determinada cena, o mentor do menino pede para que ele coloque e retire seu agasalho de uma espécie de cabide. O ato repetitivo, iria levá-lo a desenvolver não só a virtude da paciência, como otimizar seus reflexos na modalidade da artemarcial.

Longe das telinhas e a quilômetros de distância da China, um clube brasileiro tem vivido sua maior crise institucional em quase 100 anos de existência. O Cruzeiro. Nós últimos meses, a equipe celeste, dentre jogadores, comissão técnica e membros de departamentos administrativo e jurídico tem figurado além das páginas esportivas, nos noticiários da mídia mineira e da imprensa nacional.

As múltiplas pautas polêmicas, sobressaiu aos periódicos e ascendeu ainda mais a rivalidade entre a Raposa e o Galo, a ponto do mandatário alvinegro, Sérgio Sette Câmara, dizer que previa que o Cruzeiro passaria por maus bocados, devido a gestão irresponsável e temerária de seu algoz. 7C concedeu uma entrevista para um blog atleticano, relatando que o time celeste pode mesmo até perder parte de sua torcida, devido o atual cenário da Raposa.

“O fluxo de torcida, mais ou menos, o crescimento dela, está diretamente ligado ao sucesso que o clube tem. Se nós formos analisar a situação atual do Atlético e dos nossos adversários… O América tem uma torcida meio estagnada ali, e o Cruzeiro tem uma torcida grande, mas que, diante do que se avizinha aí, eu acredito: eles vão perder muitos seguidores, torcedores, etc. Na minha opinião, o que vai acontecer é uma migração de uma geração que seria de torcedor do Cruzeiro para ser torcedor do Atlético. Acredito que, com isso, o Atlético pode vir a ser, durante muito tempo, o grande clube protagonista do futebol de Minas Gerais. (…) Hoje temos uma condição difícil, mas está longe de ser semelhante ao que está acontecendo lá do outro lado” ressaltou Sérgio Sette Câmara.

 

 

O mandatário atleticano aproveitou a oportunidade e tornou a salientar sua preocupação com a reestruturação financeira do Galo, que, anos atrás, também na segunda divisão, estava num momento similar ao que o Cruzeiro se encontra hoje, com a ressalva dos inquéritos investigativos por parte do Ministério Público.

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“Nós olhamos para isso como um alerta. Poderia ser com o Atlético, porque já estivemos em situação muito pior financeiramente do que o Cruzeiro. E isso não aconteceu. Isso tem que ser lembrado e analisado, porque eu não sei como eles vão conseguir sair de uma situação dessa. Sérgio Sette Câmara trata o equilíbrio financeiro do Atlético como prioridade em sua gestão, acima de títulos.
Sette Câmara também pontuou que a esfera futebolística de um clube está diretamente relacionada ao lucro e ao capital arrecadado que – nas palavras dele, ‘os maiores clubes de futebol do mundo são os mais ricos’. “Temos a perspectiva do estádio, estamos enxergando qual é nossa dívida, temos excelentes pessoas no conselho. (…) E depois temos que criar condições para o clube não voltar a se endividar. Para isso, será necessária uma alteração no estatuto do clube, na minha opinião, criando mecanismos de controle, governança. Para que quem venha a exercer o cargo de presidente não tenha uma caneta tão poderosa, como hoje é, pra segurar ou gastar. Tem que ter controle.

Ainda falando sobre a situação do rival, Sette Câmara, exemplificou um negócio feito pelo Cruzeiro e que, segundo ele, “não cabe”. Em abril do ano passado, a Raposa contratou o atacante Pedro Rocha por empréstimo, junto ao Spartak Moscou, da Rússia, até o fim do ano. O mandatário atleticano revelou que Pedro Rocha estava na mira do Galo, mas que o negócio não foi para frente em função dos “números estratosféricos”.

Câmara discorreu sobre a operação arriscada que o rival protagonizou para reforçar o elenco, no que diz respeito ao empréstimo do atleta Pedro Rocha, ex atacante cruzeirense, que agora foi para o Flamengo. Na época o jogador fez 33 jogos e quatro gols pelo Cruzeiro, tendo custado R$ 16 milhões no período de sete meses que ficou em Belo Horizonte.

“Eu tive certeza absoluta que o negócio ia ficar feio (para o Cruzeiro) quando houve aquela contratação do Pedro Rocha. Era um jogador que estávamos tentando contratar, mas os números (eram) estratosféricos, então desistimos. Mas acabamos sabendo quais foram os números praticados na negociação da ida desse jogador pro Cruzeiro. (…) Se você somar, (foi contratado) pra sete meses. Os valores envolvidos, todos eles, giraram em torno de, segundo me disseram, R$ 16 milhões. Isso aí não cabe. Aí a gente começava a ver: “Mas quanto ganha o zagueiro? E o meio-campo, o camisa 10? E o que saiu daqui e foi pra lá, foi pra ganhar quanto?”. Aí você começa a fazer conta. (…) Não adianta quererem colocar o Atlético no mesmo balaio do que está vivendo o Cruzeiro hoje.” destacou Câmara.


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