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Homem morre um dia antes de reencontrar família após 14 anos separados

Antônio Rodrigues da Silva, 63, atropelado no último dia 23. Ele morreu no domingo (2) vítima de infarto

Acamado em leito do Hospital Regional de Planaltina (HRPL), Antônio Rodrigues da Silva, 63 anos, gemia de dor na maior parte do dia. Morador de rua, ele foi vítima de atropelamento no último dia 23, quando deu entrada na unidade após sofrer fraturas na bacia e em uma das clavículas. Mas, por trás do sofrimento causado pelo acidente, o homem escondia uma dor silenciosa e ainda mais forte: a da saudade da família, que não via há 14 anos.

A agonia estava com os dias contados, pois, no domingo (2/9), um irmão e um sobrinho de Antônio partiram do interior da Bahia rumo a Brasília para revê-lo. Porém, o desfecho não foi feliz: o homem sofreu três paradas cardiorrespiratórias e faleceu no próprio domingo.

A reunião familiar ocorreria graças a uma técnica em enfermagem do HRPL: Solange de Almeida, 34 anos. Ela não somente testemunhou o acidente, como cuidou de Antônio. Além disso, ouviu o relato dele sobre a distância da família e como se tornou morador de rua.

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Sensibilizada, espalhou a história na internet e conseguiu contatar os parentes dele, que já não tinham mais esperança de achá-lo com vida. “Ele ficou emocionado e pediu ajuda para reencontrar os filhos. Eu disse que faria de tudo por isso”, relembrou Solange.

Com a campanha nas redes sociais, o caso chegou ao município de Licínio de Almeida (BA) – a 470km de Salvador –, onde Antônio vivia antes do desaparecimento. Um sobrinho dele leu o post e repassou a publicação a Leila Souza, 22 anos, filha de Antônio.

“Chorei bastante, porque procuramos ele por muito tempo”, recordou a filha, que soube do paradeiro do pai no sábado (1º). “Havíamos perdido as esperanças e pensado que ele estava morto”, contou Leila.

A notícia da morte pegou a família de surpresa. Agora, os parentes de Antônio vão decidir como será a cerimônia fúnebre e onde o homem será sepultado.

Separação
Antônio saiu de casa em 2004, no interior da Bahia, rumo a Minas Gerais, para trabalhar na colheita de cafezais. Desde então, jamais fez contato com a família. Leila tinha 8 anos à época da partida e lembra os problemas do pai com o alcoolismo. Segundo ela, Antônio brigava frequentemente com a mulher, mãe dos filhos dele, por causa do vício.

“Em 2003, minha avó materna descobriu câncer. Minha mãe, então, foi ficar com ela, em São Paulo. No ano seguinte, levou meu irmão mais novo. Eu fui morar com meu padrinho, e minha irmã mais velha, com a madrinha dela. Nós duas em Licínio de Almeida. Ele [Antônio] ia nos ver de vez em quando”, relembrou. Após o sumiço, familiares buscaram por Antônio. Sem sucesso. Em vez de encontrá-lo, receberam notícias de que ele havia morrido após briga em bar.

Os filhos de Antônio – Geane, 24, e Leonardo, 20, além de Leila – hoje vivem na cidade de São Paulo. Ele tinha três netos.

À espera da cirurgia
Após o acidente, Antônio ficou impossibilitado de se locomover. Ele não passou por cirurgia para correção das fraturas. Além disso, reclamava frequentemente por causa de dores e tomava medicamentos para amenizar o sofrimento.

A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) informou que Antônio passou por exames de raio-x e aguardava finalização do risco cirúrgico para que o procedimento fosse agendado pela equipe de ortopedia.


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